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Teoria de Resposta ao Item (TRI) no Enem

Método para calcular a nota do Enem gera confusão entre os participantes.

Publicado por Érica Caetano

As provas objetivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) possuem um método de correção específico chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI). É através dela que se chega à pontuação obtida pelos participantes.

Contudo, diferente de muitos vestibulares em que a pontuação final depende da quantidade de acertos, na TRI existem outras variáveis. A correção pelo sistema TRI avalia três parâmetros:

    • Discriminação: sendo possível diferenciar aqueles candidatos que dominam e os que não dominam a habilidade cobrada em determinada questão;

    • Dificuldade: capaz de avaliar a complexidade da questão, sendo que quanto mais difícil ela é, maior o seu valor;

    • Acerto casual: corresponde à probabilidade de um participante acertar a questão sem ter domínio da habilidade exigida, conhecido popularmente como o “chute”.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a escolha de se usar a Teoria de Resposta ao Item (TRI) no Enem teve dois objetivos: 

      1) Permitir a comparação dos resultados entre as edições do Enem;
      2) Permitir a aplicação do Enem várias vezes ao ano, pois na TRI uma escala métrica é estabelecida. 

Essa metodologia também é usada no Exame Nacional Para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) e em exames internacionais, como o Scholastic Aptitude Test (SAT), uma espécie de Enem dos Estados Unidos, e o exame de proficiência em língua inglesa TOEFL.

Como funciona a TRI na prática

Muitos estudantes “quebram a cabeça” tentando calcular a sua nota do Enem. O esforço é em vão, pois é impossível fazer o cálculo da nota baseado apenas na quantidade de acertos.

Para ficar mais claro o entendimento, na TRI é desenvolvida uma escala padrão de conhecimento, da mesma forma que existem escalas padrões para mensurar comprimento (metro) e temperatura (Celsius), por exemplo. Por isso, as provas do Enem possuem o mesmo nível, apesar das questões serem diferentes.

As questões do Enem são retiradas de um Banco Nacional de Itens (BNI), alimentado anualmente por professores. Antes de compor o BNI, as questões são testadas em estudantes de escolas públicas – eles não sabem que estão respondendo questões que, futuramente, podem aparecer no Enem.

Esses pré-testes são fundamentais para calibrar os itens de acordo com a TRI, ou seja, as questões são revisadas, classificadas em relação à sua dificuldade e só depois de aprovadas passam a compor o BNI. Por isso o Enem não costuma cobrar temas atuais, já que as questões foram elaboradas meses ou anos antes da aplicação.

Comparando as notas do Enem

Como o nível do Enem é igual em todos os anos, é possível um processo seletivo aceitar notas de várias edições do exame. Isso acontece, por exemplo, no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que aceita as notas de todas as edições do Enem desde 2010.

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No entanto, com a TRI não é possível comparar o número de acertos em uma área do conhecimento com o de outra. Cada área do conhecimento tem sua própria metodologia de classificação. 

Sendo assim, acertar 50 itens em uma área não significa, necessariamente, ter uma pontuação maior do que em outra, cujo número de acertos tenha sido 45, por exemplo. Além disso, por serem áreas do conhecimento distintas, não é possível fazer uma relação direta entre as escalas de proficiência.

O mesmo acontece no caso de candidatos que tenham acertado a mesma quantidade de questões. Isso não quer dizer que eles terão obtido a mesma pontuação, pois podem ter acertado itens com nível de dificuldade diferentes.

A TRI também analisa a proficiência de cada participante, avaliando quais acertos tiveram mais coerência e quais foram em questões consideradas fáceis, médias ou difíceis. Também são avaliados os acertos não coerentes, ou seja, quando o participante acerta questões difíceis, mas erra as fáceis.

Partindo deste princípio, a TRI consegue determinar se o acerto foi em decorrência de sorte, por meio de chute, fazendo com que nestes casos a nota seja reduzida.

Em resumo, participantes que acertaram a mesma quantidade de questões provavelmente terão notas diferentes porque a TRI analisa quais questões cada estudante acertou e em quais circunstâncias (há uma coerência ou foi chute?).

Crédito da imagem: Poliedro

Então, é melhor não chutar?

Mesmo o sistema conseguindo distinguir quando o candidato chutou a questão, na dúvida entre deixar o item em branco ou chutar, a melhor alternativa com certeza é o chute. A questão em branco vale muito menos do que o acerto casual.

Melhor acertar questões fáceis ou difíceis?

Baseado na lógica do cálculo feito pela TRI, o participante terá melhor desempenho em sua nota se acertar mais questões fáceis e médias do que as difíceis, pois o sistema entende que o participante apresentou um comportamento coerente, ou seja, não “chutou”.

A TRI interpreta que um estudante com acertos apenas nos itens mais difíceis tenha mais chance de ter chutado a resposta do que de fato conseguido resolvê-la a partir de seus próprios conhecimentos.

Há alguma forma de saber minha nota antes do resultado?

Infelizmente, não. No entanto, dá para ter uma noção do desempenho baseado na porcentagem de acertos. Um participante que acertou 70% das questões tem grande chance de conseguir uma vaga pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU). No caso de Medicina, o índice de acertos precisa ser maior, algo em torno de 80%.

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