Logo Super Vestibular
  1. Home
  2. Dicas
  3. Os dois lados do trote universitário

Os dois lados do trote universitário

Ao mesmo tempo em que o trote universitário pode auxiliar na interação dos estudantes, ele também é capaz de provocar danos irreparáveis.

Publicado por Wanja Borges
Registrar denúncias na reitoria e/ou na polícia é fundamental para combater os excessos do trote universitário
Registrar denúncias na reitoria e/ou na polícia é fundamental para combater os excessos do trote universitário

Originado na Europa, em plena Idade Média, o trote universitário já passou por diferentes fases nesses mais de 600 anos de existência. Prática tradicional em grande parte das universidades do país, a “brincadeira” representa, na maioria das vezes, interação entre os universitários, mas também já teve o abuso, violência e inconsequência como palavras sinônimas. 

Hoje em dia, o trote estudantil está aliado ao bom senso em grande parte das instituições. Nesses casos, veteranos se restringem a raspar as cabeças e pintar os rostos e roupas dos “bixos” e “bixetes” ou fazê-los pedir dinheiro no semáforo e aprender dancinhas engraçadas com o único objetivo de interagir com os calouros.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, os calouros comemoram a aprovação no vestibular com o tradicional banho de lama junto com familiares, professores e veteranos. O ritual também é adotado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que promove, ainda, banho de tinta e leite condensado e brincadeiras com ovo e farinha e futebol de sabão. 

Banho de Lama na UFPR
Calouros da UFPR comemoram com o tradicional banho de lama /Crédito: Leonardo Bettinelli

Ainda assim, não se pode negar que os casos de excesso e abuso em trotes universitários ainda existem e devem ser combatidos. 

Trotes abusivos 

Segundo especialistas, a expressão é originada do ato de “trotar”, domesticação vexatória aplicada a cavalos. Sua etimologia pode ser um dos argumentos utilizados para explicar os excessos adotados pela prática, mas não justifica as proporções inimagináveis e as sérias consequências ocasionadas por ela nos últimos anos, como acidentes, internações, depressões, desistências e até mortes.

A necessidade de distinguir os alunos novos dos antigos acaba resultando em práticas sérias e violentas, como a utilização de bebidas alcoólicas e produtos químicos, além da imposição de situações de humilhação pública e agressões físicas e psicológicas. Nessas circunstâncias, geralmente, os calouros não possuem liberdade de escolha e se veem obrigados a participar das brincadeiras sem graça. 

Alguns trotes violentos já terminaram em morte de calouro
Alguns trotes violentos já terminaram em morte de calouro

O mais grave, ainda, é que esse tipo de trote é responsável pela construção de um ciclo vicioso, em que o excesso nunca tem fim. A premissa maior, aqui, é descontar no calouro todos os sofrimentos e humilhações que o veterano sofreu enquanto “bixo”, com represálias de todo o tipo para garantir a participação compulsória dos novatos. 

Trotes solidários

Com a deflagração de acidentes e, inclusive, mortes, muitas instituições de ensino superior decidiram pelo fim dos trotes e passaram a adotar medidas alternativas, como atividades solidárias e culturais, para coibir a violência na universidade. 

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, desde 2004 a instituição promove ações socioambientais com o objetivo de integrar os calouros e veteranos da Escola de Administração. As ações incluem distribuição de mudas de plantas, mutirão de doação de sangue e gincana para arrecadação de alimentos, itens de higiene e limpeza, roupas, calçados e outros materiais que são doados para instituições filantrópicas parceiras.

A doação de sangue é um bom exemplo de trote solidário
A doação de sangue é um bom exemplo de trote solidário

A boa ação também é compartilhada por outras importantes instituições do país, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a USP e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A Unicamp realiza visitas a orfanatos, asilos e cooperativas, além de oficinas de reciclagem e dinâmica de grupo. A USP promove campanhas de doação de sangue, medula óssea e vacinação, palestras sobre saúde, arrecadação de alimentos, visitas a instituições de assistência social, trabalho voluntário, plantio de árvores, entre outras ações. Já a PUC-SP trabalha com dinâmicas de entretenimento e faz parcerias com ONGs e instituições de caridade.

Alternativas

Mesmo com a adoção de trotes solidários e culturais, a prática de situações vexatórias não deixou de ser adotada integralmente, principalmente em espaços fora das instituições. Algumas repúblicas, por exemplo, continuam sendo palco de tortura. Neste caso, evitar prestigiar festas de boas-vindas, ir à faculdade somente algumas semanas após iniciadas as aulas e recorrer aos veteranos fiscais são algumas das formas adotadas por ingressantes para evitar o trote abusivo. 

Além disso, algumas instituições disponibilizam números de telefones gratuitos para denúncias desse tipo de trote, como acontece na USP, e outras fornecem outros meios de contato para registro da reclamação. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), por exemplo, os diretórios dos cursos são notificados com uma carta formal da instituição sobre os casos em que são constatados excessos. Denúncias na polícia também são indicadas em alguns casos.

Todo cuidado é pouco, mas não há o que temer. Hoje, a situação está mais controlada, em comparação aos tristes episódios conhecidos. Adotar um posicionamento fora do padrão de repetição, incentivar a humanização dos trotes estudantis e não se sujeitar a práticas vexatórias são outros métodos capazes de auxiliar na mudança deste cenário. Trote Universitário é para celebrar uma conquista alcançada, não para transformar sonho em pesadelo. 

Veja também

Emescam (ES) inscreve para Vestibular 2020/2 de Medicina via Enem
Interessados nas 70 vagas serão avaliados pelas notas das edições de 2018 ou 2019 do exame educacional

ESPM prorroga inscrições para Vestibular 2020/2 via Enem
Candidatos vão concorrer a 256 vagas nas unidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre

SiSU: cursos EaD também serão oferecidos
Até a última edição do Sistema de Seleção Unificada somente eram disponibilizados cursos presenciais

USCS (SP) cancela provas para Medicina e fará seleção via Enem
Processo seletivo que seria organizado pela Vunesp foi cancelado e vagas do vestibular serão ofertadas via Enem

Inscrições do Enem 2020 são prorrogadas
Datas de aplicação das provas do Enem 2020 impresso e digital foram adiadas de 30 a 60 dias em relação às datas que foram divulgadas nos editais.

UFRGS adia Vestibular 2021 por conta da pandemia do novo coronavírus
As provas do Vestibular 2021 da UFRGS estavam previsto de acontecerem nos dias 28 e 29 de novembro e 05 e 06 de dezembro.

UFPR anuncia adiamento do Vestibular 2020/2021 em razão do novo coronavírus
Medida foi tomada pelas condições em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Com isso, as provas objetivas do Vestibular serão realizadas somente ano que vem.

Coronavírus: Unitau (SP) suspende inscrições do Vestibular de Inverno 2020 de Medicina
Oferta seria de 80 vagas e Vestibular contaria com duas fases. Suspensão do processo seletivo se deve pela pandemia do novo coronavírus.

Inep anuncia que provas do Enem 2020 serão adiadas
Órgão informou que, por causa da pandemia do coronavírus, agora provas serão realizadas de 30 a 60 dias depois do que estavam previstas

Projeto de Lei que adia o Enem 2020 é aprovado pelo Senado
Agora, o Projeto de Lei que foi aprovado por 75 votos a favor e 1 contra, irá para a Câmara dos Deputados.

Na Bahia, Unifacs inscreve para Vestibular 2020/2
Por causa da pandemia do coronavírus, os estudantes serão selecionados pelas notas do Enem

UVV, no Espírito Santo, recebe inscrições para Vestibular 2020/2
Candidatos serão avaliados pelas notas do Enem e por uma seleção no estilo game